Das Gentes Que Morrem Todo Dia

17:24 Lauana Buana Fidêncio 0 Comments




Há nesta alma o estigma de quem carrega o peso de carregar o mundo. 

E há nestes olhos um sol que espraia e queima tórridos longínquos cordeiros, distintos de sangre, todavia. 
Há nestas mãos um tremor e desespero de quem traga, quando leva, o sórdido na carne... 

Há em mim um drama aberto em Cordilheira.
Há em mim uma maviosidade tecida de cutelos.
Há em mim um entredentes maior que os caninos dos Andes. 
Há em mim este riso tresmalhado ao qual trespassam certas ambiguidades rasteiras.
Há em mim um cão vira-latas de riso fácil, o cão que ri enquanto os rios correm enquanto morro, por dentro, e morrem, por fora, monarcas, as borboletas, e aos montes. 

Há em mim um ímpeto que renasce enquanto correm os rios e os cães riscados de cinzas.
Há em mim uma Ave Maria e uma hora do Angelus dobrados sob cada pecado.


Assim como há em todos os que mordem, há nestes pés um tropeço aos trópicos.... o clamor mais diáfano, enquanto tropeço e peço aos céus que protejam minhas rogadas bagatelas.








0 comentários: