Flamingo Sob o Por do Sol

20:17 Lauana Buana Fidêncio 0 Comments




Os braços partidos não reclamam mais
as possíveis imposturas do tempo.


Há tempo de semeadura e tempo
de ceifeiras curvadas sobre cutelos.
Há tempo de aveludadas vertigens
e tempo de entrega aos abismos.


E há tantos vazios sobre as cearas
que será tempo de uma vida
separar tanto joio de tanto trigo
antes de atulhar os celeiros
das urgências da última hora.


Não há mais lamento no meu canto
Aliás, não há mais canto no meu lamento


de flamingo ao por do sol  
de um sem tempo insalubre


para onde migrou o pássaro vermelho 
que levo cativo no raso lago do peito.

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