Das Definições do Amor II

02:29 Lauana Buana Fidêncio 0 Comments





"Amor é fogo que arde sem se ver..."
__ Conversa, poeta!!!
Esse seu verso me soa como um dardo lírico-jocoso!! Um complicador anelado em sons bem entranhados feito apenas para nos lembrar de que estamos definitivamente fodidos! Mas, o que mais um poeta poderia fazer, não é mesmo?, os poetas nunca são efetivamente úteis às pessoas, e quando são é só de um modo oblíquo e muito doído!! Bem, pelo menos esta é a minha impressão, pensando de um modo generalizante, descompromissado e, sim, eu confesso, irônico...

Mas, de volta ao cerne destas divagações pós-expediente-ânsia-atroz-por-uma-sexta-feira-imensa!, tenho tentado refletir sobre as possíveis definições para a palavra, a ideia, o conceito, o espaço vazio, o verbete de dicionário, a palavra rabiscada no banco do ônibus, ou aquilo que simplesmente chamamos, por falta de designação mais precisa: Amor.

Mas, o vazio não se transubstancia em adjetivos densos e precisos só porque necessitamos deles, e por isso, ainda ando cá à roda com as indefinições...

Lembro-me de que na mitologia o Amor, antes de ser o lindo menino gordo e travesso que se vende aí à raia miúda, era um deus cego e faminto. O que para mim é uma das melhores definições possíveis para essa coisa obscura e urgente que se apossa de nós, pobres mortais!

Sim, rapariga!! O amor não rima com flor, não solamente! Rima com ranger de dentes, taquicardia, suspiros, pontadas de uma faca invisível no meio do peito, vertigem, medo de sair à rua, choro ali pela hora do Angelus, fome e também abulia, ataques de riso, suores nas mãos, vertigem, e, entre outras coisas, uma predisposição a cantarolar músicas de gosto duvidoso e a sair pela vida com um riso estúpido na cara (me perdoem a definição, mas, eu cá nada posso fazer se a condição amorosa tem uma grande porcentagem de estupidez).

__ Acaso discorda?!
Oras, não estamos aí em crise econômica e recessão global, ou à beira do apocalipse climático? Não estamos quase todos fodidos, presos a rotinas chatas e vidas infinitamente menos empolgantes e bem remuneradas do que esperávamos uns anos trás? Não estamos num país fodido em tantos sentidos que daria para escrever um kamasutra só com os modos com que nós brasileiros estamos particularmente fodidos?!


E enquanto isso, você aí a suspirar pela rua, atemporalmente flutuando na sua bolha de amor! Sim, o amor tem uma grande porcentagem de estupidez! Todavia, a la mierda, não é mesmo?! Afinal, convenhamos, a estupidez é o que, darwinisticamente, tem de fato garantido que a nossa espécie de hominídeos parvos possa atulhar o planeta com sua prole estulta e breves, porém intensos, momentos de boa poesia!  E se a isso damos, ao fim e ao cabo, o nome de amor, que assim seja!

Mesmo porque já perdi o rumo que pretendia dar a estas linhas... mas, quem se importa, não é mesmo?, pois, de rumo certo na vida não há praticamente nada, a não ser a morte __ a cadela da qual esperamos desviar por uma boa fatia de tempo __, e a ânsia de encontrar um sentido, de preferência um que venha em meio ao caos de cegueira e fome com que o Amor, ainda um deus acima de qualquer outra coisa, nos atravessa o peito sempre de modo afoito, furtivo e inesperado.


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