Eva Fumava Marlboro V

18:39 Lauana Buana Fidêncio 0 Comments





Oras, Eva era uma mulher e isso era tão simples quanto “Ivo viu a uva”, ou qualquer outra obviedade que aprendemos nas primeiras cartilhas da infância.
Não havia bem um mistério nisso... só uma descontinuidade. Um caleidoscópio definiria bem o que Eva era, se não fosse um clichê pomposo e desgastado. Todavia, o que era uma mulher, senão uma exasperada descontinuidade, um clichê pomposo e desgastado?
         Perdoem-na se onde havia uma reta evidente ela inocentemente encontraria uma curva. Não havia malícia em seu modo de ser dúbia, nem más intenções em seu cerne macio. E, ainda que houvesse sempre más intenções numa mulher, isso era coisa de outra ordem.
Em síntese, era de grande simplicidade o coração de Eva. Tão simples quanto Geometria, tão simples quanto a Microfísica da Nuvem, tão simples quanto a Crítica da Razão Pura, tão simples quanto Engenharia de Tráfego, tão simples quanto traduzir Epopeias Gregas...
O coração de uma mulher era tão simples quanto uma Ciência Abstrata, uma que todavia pudesse arcar, em seu âmago, com a indecidibilidade enquanto valor, posto que a indecidibilidade era inerente à constituição esgarça e fugidia da fêmea. 
Mas, fora isso, Eva, a simples, fumava Marlboro e sonhava... sonhava como sonharam todas as mulheres no longo percurso da história humana. Eva queria e quer sempre morrer de amor, e de um amor maior que tudo, maior que o interdito, que o pecado, maior que a eternidade ou a inocência desenxabida de um Éden.

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