A Menor Distância entre Dois Pontos

18:06 Lauana Buana Fidêncio 0 Comments





Não escrevia mais poemas...
Não escrevia contos porque não tinha o tino necessário para tal empresa. Não escrevia romances, estancara no primeiro e único projeto de prosa extensa e extenuante, naufragara nos seus esquemas.
Assim sendo, não sabia o que diabos haveria de lhe justificar enquanto escritora. Escrevia fragmentos, coisas de momento, lirismos de improviso, poemas de hora do almoço.
Alcançava pequenos brilhos de boas rimas de tempos em tempos e no resto, nada... vivia de esperar o próximo momento em que a massa caótica da realidade transmutar-se-ia em sentidos intrincados.
E nessa intermitência, nesses intervalados ocasos, vivia uma vida nem mais nem menos medíocre que a vida de outrem, só uma vida, só uma rotina e pequenas vitórias, afinal, a menor distância entre dois pontos era uma reta, afinal, conseguir cumprir com os compromissos do cotidiano era no fim como voltar a Ítaca.
Pois, odisseias há tão ínfimas quanto seus heróis.

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