Par delicatessen...

19:18 Lauana Buana Fidêncio 1 Comments


Mas alguém ainda morre por delicadeza nos tempos que correm?

Estou escrevendo um romance cuja personagem principal se mata nas primeiras linhas da história..., todavia, no fundo ainda não atinei para um motivo que justifique um ato assim tão dramático... afinal, quem ainda se mata neste mundo, e mais, quem ainda se mata de uma daquelas mortes wertherianas, bovaristas, quixotescas, delicadas, literárias enfim.
Quem ainda se mata, quem se mata quando a vida constrange o peito? Quem ainda se mata quando os sentidos de todas as coisas abandonam o dia saltando descaradamente pela janela?
Quem, quem, quem, minha personagem talvés, mas ela não passa de um aglomerado de riscos pretos sobre o branco de algumas folhas, ela não passa de uma algaravia de papel e tinta. Na vida se vive, na arte se morre aos domingos, nos feriados, nos dias livres, ou nos intervalos, de cafezinho e pito, que intercalam a voragem, e é apenas aí que se morre.
Na vida nunca...
na vida jamais,
isso de morrer, em se tratando da vida,
haveria de ser um grande desperdício de matéria,
uma farsa,
um final de Vaudeville,
um arremedo,
um nada,
um triste e redondo nada
caindo para o silêncio da noite.