A pós-modernidade, o relógio de Júlio Verne e o tempo...

11:19 Lauana Buana Fidêncio 1 Comments



Lady Salieri me fez um presente sem preço, me fez um poema onde dizia aquilo que eu teria dito se soubesse como desagravar-me diante dessas catitas insignificâncias que se insinuam aí sob o epíteto de pós-modernidade.

__ “E essa escassez de água”? __ Foi o que ela disse, e imediatamente inundou-se-me a alma sob o peso daquele imenso mar de libertação.

Lady Salieri me deu um relógio... sempre quis ter um relógio, um relógio de bolso. E o relógio trazia em relevo as inicias de Júlio Verne...

__ Mas como diabos ela descobriu que eu amo relógios de bolso e Júlio Verne e ainda conseguiu juntar casualmente essas duas coisas num único gesto? __ Lady Salieri é extremamente perspicaz...

O relógio todavia, levou-me a um impasse: entramos no horário de verão, todos os relógios foram adiantados em uma hora... mas não consegui adiantar o meu relógio de bolso..., então espertamente conclui que se eu o desligasse ao meio dia, por exemplo, e o ligasse novamente a meia noite, estaria resolvido o seu atraso de uma hora. O caso era o de dar a volta no tempo: parar para pegá-lo na curva sem sobreaviso.

O tempo deve ter percebido minha intenção, porque não tenho conseguido fazer com que os ponteiros do relógio fiquem parados por doze horas, de repente eles voltam a bater e bater incessantemente... tenho suspeitado que talvez seja impossível enganar o tempo, mesmo quando se trata de uma operação assim tão simples e inocente. Acho que vou é esperar até que o horário de verão acabe para que eu possa sair por aí com meu relógio de bolso com as iniciais de Júlio Verne, afinal o tempo pode se irritar com a minhas investidas. Sim... deixemos o tempo, pois no fim, tudo se acerta de acordo com o sua precisão atomicamente garantida, de acordo com sua vontade historicamente incongruente...

__ Voltemos ao Senhor Verne! Mesmo porque, tenho aqui que o confessar, ainda hoje acredito na viagem ao centro da terra como daquela primeira vez em que li o livro. Júlio Verne é um dos poucos que ainda me fazem acreditar, que me fazem sentir a necessidade de virar a próxima página, de ler o próximo capítulo... será que apesar de tudo ainda sou uma leitora inocente? Será que não mais o sendo, o que resta é verdadeiramente o ser?

__ Talves, talves para todas as perguntas que se apresentam... mas o que seria a vida não fossem as perguntas sem respostas, os presentes inesperados e as eternas inocências?

Vou perguntar para Salieri o que ela acha...

__ Do tempo, da inocência, de Júlio Verne?

__ Não! Vou perguntar o que ela acha das perguntas...











1 comentários:

Lady Salieri disse...

Não se esqueça de que Lady Salieri sofre de uma demência dissimulada. Não se esqueça de que Lady Salieri dissimula a demência em paranoias cotidianas. De associações estranhas e de coerencias rigorosas vive Lady Salieri contando os movimentos do fogo na caverna. Hehe