Eva fumava Marlboro IV

12:30 Lauana Buana Fidêncio 0 Comments

“(...)
Ou a mera ira de fumar sob a chuva!”*


Por causa desse verso fumava a moça sorrindo-se sob a garoa...
Por causa de um verso __ obviamente elidira, para o bem da composição, os outros 22 motivos. Mesmo porque, ao fim e ao cabo, era rascante o gesto.

__ E quanto à ira?

Bem, a ira era um pecado indubitavelmente condenável... ah se era! Se fosse Aquiles, a moça aplacar-se-ia doutro modo...
Não era todavia...
Moça, todavia, e presa de uns seus remordimentos, deu-se ao vício e suas aliterações:

Dor deleite deplorável doce doce desespero...
Doce de coco azeite de dendê dentifrício
Ditado da aula de português da quarta série
Delegação chinesa em visita à Cracolândia
Desmedida de mero palco cuidadosamente ensaiada pela atriz para o devaneio do segundo ato
Ductibilidade do cobre 32 dentes de Berenice
Demonologia ducha quente dias de áspera desventura
Ad eternitatem dimetil propano densidade óssea
Dia a dia delíquio dicotomia dedilhando graves de paz e agudos de guerra
Dentro...
Daninheza
Dentro...
Divagava a moça
Dentro...
Demorava-se no ato toda lânguida
Dentro...
Afinal a (conjunção) que abria o verso tolhido de sua estrofe insinuava que naquele silêncio omitia-se um contrário
Dentro...

 
 
 
* Verso de Leon de Aguiar

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