"James, a Lauana está sem poesia e e menino está com sede" II

22:43 Lauana Buana Fidêncio 1 Comments

Ano após ano iludia-se na crença de que uma palavra salvaria:
Agarrando-se nos altos e baixos de monocromática,
A mais resoluta palavra,
Ou crendo em plena crença nos treze tons de azuis que conhecia:
Azul, aquele insinuante anzol de inalcançáveis.

Um dia caiu na mágoa,
A paroxítona mais acentuada
A mais encrustada das rimas

Pela mais bela palavra da Língua Portuguesa
Nutria paixão por primazia
Assim é que mantinha por saudade,
Solidate, soledade, solidão e nostalgia
Pesar de ausência, ou só saudade:
Sodade meu bem, sodade!

Não agarrou-se como bem devia
Às palavras de ordem da classe
Não redigindo manifestos
Mantinha manifesto
Apenas um tal desprezo
Pela tácita exigência
De parodiar Canção do exílio.

Pelo sujo do verso
Embebia-se na mais bruta palavra,
Na palavra que espreita no escuro
O filigrana fraco do verso,
Na palavra que lhe zunia:
Espúria, menina espúria,
Espúria poesia.

Aos ecos de embuste
Que na noite lhe feriam
Parou à sombra de uma vasta faia
Para pesar nos tons de sombra,
O que de arquétipo e de eco
Na sombra havia.

Hoje só antinomia,
Paradoxo e aporia,
Hoje um grande silêncio
Entre dois Entres lhe mordia.

1 comentários:

Velharia disse...

A muito não via você com tanto som, sonoridade linda, perfeito para ler em voz cuspida ao público, lindo som