Poetisa

18:55 Lauana Buana Fidêncio 1 Comments

Pobre menina de saia rodada
Tentando ser ao múltiplo
Do termo

Pobre avelã destroçada
Tentando germinar
Nos ermos

Pobre e púbere escada
Tentando retesar risos
Repara sobre abismos

Pobre menina de alcobaça
Tentando estar em graça
Mais que mancha a farça

Pobre pestilência
De cambraias
Pústula de rendas e amavios
Boca intocada de arrepio

Menina sem cutelos
Ou navalhas
Menina das esperas
E migalhas

Menina de suspirar sonetos
Menina de ruminar rimas
Menina de bordar brisas
Menina de poemetos

Mais não fez menina
Que de poeta padeces
Mais ao que arrefece
Menos às quermesses

Menina de tez algodoada
Suspirosa
E enlevada
Pois que sejas afogada
Ressequida
E destroçada.

1 comentários:

Kamikaze Kiwi disse...

Velado, ou explícito desabafo com relação as mulheres diante do ofício do verso...